A presença salesiana em Mato Grosso foi marcada pelo reconhecimento e pela ocupação do território amplo e complexo. “Reconhecer e Ocupar” apresenta a trajetória dos salesianos como agentes de transformação social, cultural e educativa em Mato Grosso. À medida que o território foi sendo desbravado, não foram poupados esforços para documentar suas interações, percepções e admirações, como também ocupar espaços por meio de diversas obras em prol da concretização do ideário de Dom Bosco.
O processo de documentação pode ser observado em livros, mapas e fotografias. Revistas como o Boletim Salesiano e a Revista Mato Grosso divulgavam para o Brasil e para o exterior as contínuas interações e obras realizadas pela congregação no estado. Dom Francisco de Aquino Corrêa, com seus poemas dedicados às cidades, fortaleceu os laços da missão no território e sua cultura.
Ações efetivas foram realizadas com as compras e demarcações de terras para proteção indígena, com a construção de santuários, igrejas e oratórios e com a difusão de instituições educacionais que proporcionaram a instalação dos futuros Institutos Universitários Salesianos, hoje importantes centros de desenvolvimento intelectual e social das regiões em que a congregação está presente.
Destacam-se os santuários dedicados à Nossa Senhora Auxiliadora em Corumbá e Cuiabá como reflexo da presença sagrada no território; e as Escolas Agrícolas de Palmeiras e Dourados como fonte de desenvolvimento local e suporte às colônias de imigrantes presentes em Mato Grosso. O desenvolvimento do ensino superior é visto na consolidação da Universidade Católica Dom Bosco como marco referencial da região, reflexo visível e concreto do carisma próprio dos salesianos de Dom Bosco. Por fim, a Cidade Dom Bosco como obra-síntese das ações salesianas na região, reunindo ações sociais, educacionais e evangelizadoras em prol da formação de pessoas em sua completude.
Colônia Agrícola de Palmeiras (MT)
A Colônia Agrícola de Palmeiras foi adquirida por estar na rota das expedições das demais colônias e tinha a direção, inicialmente, do Padre José Thannuber. Situava-se a 100 quilômetros de Cuiabá e servia inicialmente como entreposto dessas expedições. O terreno foi doado, em 1907, pelo Doutor Mario Corrêa da Costa, e nele foi instalada a Escola Agrícola Gratidão Nacional, destinada à comunidade indígena Boe-Bororo dos arredores, que posteriormente recebeu alunos para os cursos primário e agrícola e para o curso normal. Para lá, foi transferido o noviciado da Inspetoria de Mato Grosso – dirigido pelo Padre Miguel Curró – e o internato de meninas – dirigido pelas Filhas de Maria Auxiliadora. Também foram construídas oficinas diversas, como a de serraria e olaria, a cargo do Mestre Ludovico Bruss, e foi instalada a usina elétrica em 1910.
Escola de Iniciação Agrícola Dom Bosco de Dourados (MS)
A Escola de Iniciação Agrícola Dom Bosco teve início em 1956, tendo como inspetor o Padre Guido Borra e, como responsável pela fundação e direção, o Padre André Capelli. Com a finalidade de servir como escola agrícola para a formação técnica dos filhos de colonos imigrantes da região, o local também seria uma forma de instrumentalizar a própria comunidade de pequenos agricultores por meio da venda de sementes de melhor qualidade e com preços mais acessíveis, possibilitando, ao menos em parte, a independência desse grupo em relação aos grandes comerciantes da época. Em 1970, teve início o Ginásio Estadual em regime de externato e internato, recebendo alunos de ambos os gêneros nos períodos matutino, vespertino e noturno. No mapa, observam-se as terras adquiridas pela inspetoria e a localização da Escola Agrícola Dom Bosco.
Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora em Cuiabá (MT)
O Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, expressão da gratidão dos salesianos pela constante proteção de Nossa Senhora em todas as atividades pastorais em Mato Grosso, teve sua pedra fundamental lançada em 24 de abril de 1912. Situado próximo ao Liceu São Gonçalo, o santuário foi, desde o início de sua construção, resultado dos esforços do grupo de indígenas Boe-Bororo da missão de Meruri, acompanhados de perto pelo Padre Francisco de Aquino Corrêa, diretor do liceu, e pelo Padre João Balzola. Em 1919, uma bela imagem da Virgem Auxiliadora foi coroada por Dom Ângelo Scarpardini e, em 1929 – ano da beatificação de Dom Bosco –, o santuário, em estilo neogótico, foi oficialmente inaugurado.
Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora em Corumbá (MS)
O Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora em Corumbá foi inaugurado em 24 de maio de 1950, sendo um importante marco da presença salesiana na cidade. Idealizado pelo Padre Miguel Alagna, o santuário se destaca como lugar de peregrinação e devoção, consagrado pelo então Bispo Dom Orlando Chaves. A construção – localizada junto ao Colégio Salesiano Santa Teresa (1899) – é caracterizada pela sua arquitetura eclética com tendências neogóticas e tem abrangência territorial não apenas para os corumbaenses, mas também para devotos de cidades vizinhas.
Cidade Dom Bosco em Corumbá (MS)
A Cidade Dom Bosco, fundada em 1961 pelo Padre Ernesto Saksida em Corumbá, atende jovens em situação de vulnerabilidade dos bairros periféricos. Inicialmente uma pequena escola rural, a então Escola Rural Mista Alexandre de Castro foi elevada a Grupo Escolar em 1966 e posteriormente integrada à Missão Salesiana de Mato Grosso com o nome de Cidade Dom Bosco. O complexo abriga a Escola Estadual Dom Bosco (referência na metodologia “escola-comunidade”) e oferece o Programa Crianças e Adolescentes Felizes, que apoia cerca de 300 jovens, e o Programa Adoção a Distância, que capta recursos de benfeitores internacionais para manter suas atividades. A Pastoral Juvenil Salesiana coordena a evangelização e o trabalho comunitário com base no Sistema Preventivo de Dom Bosco.

