O processo de canonização é longo e rigoroso para garantir que a santidade reconhecida seja verdadeira e inspiradora. Ele envolve duas fases principais: a fase diocesana, na qual se investigam os fatos localmente, e a fase romana, em que o Vaticano analisa e aprova cada etapa. Além disso, o processo valoriza o reconhecimento popular da vida virtuosa do candidato e a comprovação de milagres como sinal da presença de Deus agindo por meio dele.
Servo de Deus – O Início da Investigação
Após a morte de uma pessoa que teve fama de santidade, geralmente espera-se cinco anos para que o processo comece (esse tempo pode ser reduzido pelo papa). O bispo da diocese onde ela viveu ou morreu pode pedir à Santa Sé para abrir uma investigação oficial. Um responsável chamado postulador é nomeado para reunir tudo sobre a vida dessa pessoa: documentos, escritos, testemunhos de quem a conheceu e relatos sobre suas virtudes e obras. A Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano, analisa esse material e, se não encontrar impedimentos, autoriza o início formal do processo com o decreto chamado Nihil Obstat (“nada impede”). A pessoa recebe então o título de Servo de Deus.
Venerável – Reconhecimento das Virtudes Heroicas
Com o processo aberto, uma comissão especial formada por teólogos, historiadores e especialistas analisa cuidadosamente a vida do Servo de Deus. Eles preparam um documento chamado Positio, que reúne todas as provas de que essa pessoa viveu as virtudes cristãs (como fé, esperança, caridade, humildade) de forma extraordinária e constante. Se o papa concordar que as virtudes foram praticadas heroicamente, ele declara a pessoa Venerável, um passo importante que reconhece publicamente sua santidade, mas ainda sem permitir culto público.
Beato – A Beatificação e o Primeiro Milagre
Para avançar, é preciso comprovar um milagre atribuído à intercessão do Venerável, geralmente uma cura inexplicável pela ciência. Esse milagre é investigado por médicos e teólogos para garantir que não tenha explicação natural. Se aprovado, o papa autoriza a beatificação, que é uma cerimônia pública em que a pessoa recebe o título de Beato ou Beata. A partir daí, ela pode ser venerada publicamente, normalmente em sua região ou país, e considerada modelo de vida cristã. No caso dos mártires, o martírio já é suficiente para a beatificação, sem necessidade de milagre.
Santo – A Canonização e o Segundo Milagre
Para ser canonizado, ou seja, declarado santo oficialmente para toda a Igreja, é necessário comprovar um segundo milagre atribuído à intercessão do Beato, ocorrido depois da beatificação. Esse milagre passa pelo mesmo rigor de investigação. Se aprovado, o papa convoca uma cerimônia solene de canonização, na qual o Beato passa a ser chamado Santo ou Santa e pode ser venerado em toda a Igreja Católica. Seu nome é inscrito no cânon dos santos, e ele se torna um exemplo universal de fé e virtude para todos os fiéis.

