Diálogos Inculturados entre Missionários e Povos Indígenas Bororo e Xavante


A presença da Congregação Salesiana junto aos povos Boe-Bororo e Auwẽ Xavante em Mato Grosso é historicamente relevante. A missão com os Boe-Bororo começou em 1895 na Colônia Teresa Cristina, perto do Rio Lourenço, liderada pelo Padre João Balzola. Entre o fim do século XIX e meados do XX, novas missões foram criadas: Colônia Sagrado Coração (inicialmente nos Tachos, depois transferida para Meruri), Colônia Imaculada Conceição (próxima à cachoeira do Córrego Aracy, no Rio Garças) e Colônia São José (em Sangradouro). Essas missões focavam educação, evangelização e saúde dos Boe-Bororo.

O contato com os Auwẽ Xavante teve episódios difíceis, como a morte dos padres pioneiros Fuchs, Sacilotti e mestre Pellegrino na década de 1930. Após esses eventos, os salesianos intensificaram o trabalho para fortalecer vínculos com os Auwẽ Xavante, que buscavam não só a evangelização, mas também apoio para enfrentar epidemias e pressões territoriais.

Na década de 1950, a missão de Sangradouro tornou-se polo para o trabalho com os Auwẽ Xavante, facilitando a convivência mediada entre Boe-Bororo e Auwẽ Xavante. Em 1958, foi fundada a Missão de São Marcos, que passou a ser um espaço importante para a organização cultural e espiritual Auwẽ Xavante.

Padres como Antônio Colbacchini e César Albisetti realizaram estudos etnográficos sobre os Boe-Bororo, enquanto o Padre Ângelo Jayme Venturelli produziu registros iconográficos significativos. Com os Auwẽ Xavante, foram desenvolvidos processos de alfabetização na língua nativa, formação de professores indígenas e materiais pedagógicos alinhados ao Concílio Vaticano II.

Missionários como o Padre Bartolomeu Giaccaria e o Mestre Adalberto Heide documentaram oralidade, mitos e rituais, reforçando a valorização dos direitos territoriais Auwẽ Xavante. O trabalho em saúde preventiva combateu doenças endêmicas, sempre respeitando a organização social indígena e promovendo o protagonismo das comunidades. Em 2002, a ordenação do Padre Auwẽ Xavante Aquilino Tsere’Ubu’õ Tsirui’a simbolizou a plena integração indígena ao clero salesiano.