No coração pulsante do Centro-Oeste brasileiro iniciou-se uma jornada de fé, coragem e transformação. Foi nesse cenário desafiador que os salesianos plantaram as sementes de uma missão para promover educação, evangelização e inclusão social. Essa história é um testemunho vivo do legado duradouro que os salesianos deixam em Mato Grosso, moldando não apenas instituições, mas transformando vidas e a própria comunidade.
Os missionários salesianos que chegaram a Mato Grosso em 1894 enfrentaram desafios que colocaram à prova sua fé e determinação. A região era marcada por vastas distâncias, ausência de infraestrutura, clima severo e conflitos violentos em torno da expansão das fronteiras agrícolas e a ocupação de terras indígenas com o objetivo de transformá-las em áreas de produção. As viagens dos salesianos para consolidar novas missões eram longas e exaustivas: o trajeto de Cuiabá aos assentamentos podia durar até um mês. O isolamento geográfico dificultava o transporte de materiais, alimentos e equipamentos, tornando a construção das primeiras casas missionárias e a manutenção das atividades religiosas uma tarefa árdua.
Para superar esses obstáculos, os salesianos adotaram estratégias práticas e inovadoras. A construção das primeiras casas e infraestruturas contou com o esforço direto dos missionários e dos indígenas e o apoio de doações, além da colaboração das comunidades locais. A alimentação era um desafio constante, o que os levou a adaptarem-se aos alimentos regionais, ao cultivo de hortas e demais atividades para garantir a subsistência. A convivência com os povos indígenas foi fundamental para o sucesso da missão, pois permitiu a troca de saberes e a cooperação na superação das dificuldades cotidianas.
Nesse processo de “inculturação”, os salesianos conseguiram estabelecer um diálogo respeitoso e contínuo, aprendendo com os valores indígenas. Como enfatizou o Padre Bartolomeu Giaccaria, que atuou entre os Auwẽ Xavante: “O missionário não deve resolver os problemas dos indígenas: deve ajudá-los a resolver”. Em meio às tensões e aos conflitos constantes entre indígenas e fazendeiros, a missão busca encontrar caminhos de pacificação para a região e de respeito aos direitos dos povos originários, que ainda hoje continuam ameaçados em seus valores e em sua existência.

